Gestão Estratégica de Operações e exemplos bem-sucedidos

Este artigo tem como objetivo explicar que o gerenciamento de operações, se bem executado, oferece vantagens estratégicas competitivas para as empresas. Como o tópico Estratégia costuma atrair mais atenção do que Gestão de Operações, os executivos sêniores das organizações tendem a ignorar os benefícios da gestão estratégica de operações.

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Há uma separação inadequada entre estratégia e gestão de operações. Enquanto a primeira inclui a direção e o alcance de uma organização no longo prazo, a segunda envolve a transformação processual de insumos em serviços e produtos acabados. [1] [2] Idealmente, o gerenciamento de operações combina recursos das empresas com o ambiente dinâmico que envolve as organizações. Portanto, enquanto o gerenciamento de operações lida com a alocação de recursos para apoiar infraestrutura e produção, a estratégia consiste em movimentos competitivos para gerar desempenho superior.

Embora diferentes, a estratégia e o gerenciamento de operações estão fortemente interligados. Uma estratégia bem-sucedida depende frequentemente de um gerenciamento operacional eficiente da empresa, onde elementos como equipes, softwares e unidades de negócios trabalham com objetivo de maximizar produção. Isso ocorre porque o gerenciamento de operações envolve processos de planejamento, organização, controle, captura a análise de dados.

No passado, o gerenciamento de operações era chamado de gerenciamento de produção, mostrando claramente suas origens fabris. No entanto, à medida que as economias do mundo desenvolvido mudaram gradualmente para a produção de serviços, foram aplicados a eles os princípios de gerenciamento de produtos, de planejamento e de organização de processos.

No passado, o papel tradicional da gestão da produção era projetar os produtos/serviços com base nas informações de mercado fornecidas pelo departamento de marketing e converter o design em produtos dentro das restrições financeiras estipuladas pelo departamento de finanças. Ainda no passado, Marketing, Vendas e Finanças exerciam mais influência na alta administração do que as atividades de gestão da produção. Porém, atualmente, o gerenciamento de operações é uma área funcional multidisciplinar e requer familiaridade com uma ampla gama de disciplinas

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Uma questão surge aqui: O que é preciso para a Gestão de Operações tornar-se mais estratégica? Primeiro, as operações precisam reposicionar os sistemas de produção de modo a serem mais flexíveis e/ou possuir maior capacidade de resposta. Os sistemas de produção não devem tentar atender a todos todo o tempo. Em segundo lugar, a gestão de operações deve ter voz no projeto de produtos e serviços porque o tipo de solução a ser entregue ao mercado deve ser fabricado/projetado em plantas especificamente projetadas. Por fim, a gestão de operações deve participar da seleção da tecnologia e da definição de processos internos. A escolha da tecnologia a ser empregada, ou seja, a trilha tecnológica, é uma decisão estratégica por que muitas vezes é irreversível.

O mundo real, no qual as empresas lutam em uma concorrência crescente, fornece alguns exemplos de práticas bem-sucedidas de gerenciamento de operações.

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O primeiro exemplo vem da Embraer, uma empresa que desenvolveu uma rede sofisticada de fornecedores através de acordos altamente inovadores de compartilhamento de riscos. Tal abordagem culminou com o desenvolvimento de uma nova configuração da rede de fornecimento da Embraer e levou ao desenvolvimento do jato regional ERJ-145, fato que tornou a empresa Brasileira a concorrer diretamente com a Canadense Bombardier na construção de jatos médios. Após essa experiência bem-sucedida, o novo modelo da cadeia de abastecimento foi consolidado e expandido para o desenvolvimento de novas aeronaves comerciais (modelos E-JETS e E-JETS E2), bem como o cargueiro militar KC-390. Informações adicionais sobre a Embraer podem ser encontradas aqui e aqui).

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A rede varejista Walmart fornece um segundo exemplo de combinação entre gerenciamento de operações e estratégia. A empresa é conhecida por sua liderança em baixo-custo, e para tal sua gestão de operações enfatiza custos mínimos de produção, especialmente para suas próprias marcas, como a Great Value. Por exemplo, os produtos da empresa são projetados de forma que sejam fáceis de produzir em alta escala. Adicionalmente, para otimizar sua capacidade de atender a grande quantidade de consumidores, a empresa utiliza análise comportamental e monitoramento contínuo de processos e capacidades, com uso intensivo de tecnologia da informação. [3] Dados  adicionais sobre a Walmart podem ser encontradas aqui.

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Finalmente, o maior engarrafador de Coca-Cola no Brasil apresentou um caso interessante no gerenciamento de operações. Durante a década de 1990, vários fatores impactaram simultaneamente a indústria de refrigerantes no Brasil: (i) o aumento do poder de compra dos consumidores, que exigiu produtos mais sofisticados; (ii) a chegada de novas tecnologias embarcadas nos equipamentos de engarrafamento, o que permitiu o aumento da capacidade de produção, e (iii) a inovação em embalagens, o que aumentou o número de Stock Keeping Unit (SKU) e aumentou os requisitos de segurança alimentar. A empresa respondeu através de mudança de sua filosofia da cadeia de suprimentos, de nova organização de sua capacidade de engarrafamento e de reconfiguração de seus processos internos, com objetivo de buscar economias de escala. Dada a especificidade deste exemplo, uma explicação detalhada dos eventos que remodelaram essa empresa pode ser fornecida pelo executivo Paulo Kikuo.

Como conclusão, a gestão eficaz das operações aumenta a eficácia da estratégia seguida por uma organização. As operações da Embraer são altamente dependentes de uma rede sofisticada de fornecedores especializados. As operações do Walmart se especializaram em luta constante para redução de custo. Finalmente, o exemplo fornecido pelo engarrafador da refrigerantes mostra que o gerenciamento de operações responde ao aumento da concorrência e da demanda dos mercados.

Referências Bibliográficas

[1] Johnson G, Scholes K, Whittington R. Exploring corporate strategy: text & cases. Pearson Education; 2008.

[2] Slack N. Operations strategy. John Wiley & Sons, Ltd; 2015 Jan 6.

[3] http://panmore.com/walmart-operations-management-10-decisions-areas-productivity-case-study-analysis

 

 

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