Google e HTC: análise da aquisição

Google

Introdução

Recentemente a Google anunciou a aquisição de parte do negócio de fabricação de celulares da HTC. Tal movimento estratégico é importante por que representa uma nova tentativa de entrada no setor de manufatura de hardware, nesse caso de aparelhos celulares. Essa ação poderia ser vista, inicialmente, como uma repetição da aquisição fracassada de Motorola em 2014; porém, no atual caso algumas diferenças são marcantes. Esse artigo visa apresentar a estratégia da Google sob diferentes pontos de vista.

 google thc 1

Onde a aquisição se encaixa na estratégia da Google?

A empresa adquire metade do time de desenvolvimento de Google da HTC e licenças não-exclusivas de propriedade intelectual da empresa taiwanesa, que podem ser úteis para o avanço da tecnologia de smartphones da Google. Porém, acreditamos que com essa compra a empresa norte-americana faz uma aposta em outra direção: o desenvolvimento de outros tipos de hardware e busca maior integração vertical em sua estratégia de manufatura. Se por um lado tal integração faz com que a Google comece a seguir a mesma estratégia utilizada pela Apple (que busca controle total do hardware e do software), por outro lado, o movimento na direção da manufatura faz com que Google desafie diretamente vários fabricantes que utilizam o sistema Android (Samsung, LG, Huawei).

Por quê a integração vertical é necessária?

vertical integrationAcreditamos que o primeiro motivo que leva a Google a buscar o controle simultâneo de hardware e software é o ataque direto à Apple, ao invés delegar tal combate a seus parceiros OEM (Original Equipment Manufacturer).

O segundo motivo é o nível de sinergia necessário entre hardware e software nas novas gerações de tecnologias, que inclui Realidade Virtual (RV), Realidade Aumentada (RA), Inteligência Artificial (IA), e Internet das Coisas. Tal exigência é extremamente alta, muito acima do nível de sinergia necessária para aparelhos celulares. Tais tecnologias necessitam integração máquina-software muito mais fluida do que a que vemos atualmente em produtos com sistema operacional Android, cujo código é desenvolvido pela Google, porém cujo hardware é desenvolvido por empresas parceiras. Google acredita que no atual estágio de desenvolvimento tecnológico, a interface máquina-código precisa ser desenvolvida por equipes totalmente dentro da empresa.

Por quê HTC vendeu patentes e cedeu metade de sua equipe de Pesquisa e Desenvolvimento?

Para entender por que HTC desfez-se de parte de si mesma, é importante lembrar que a empresa não transferiu sua unidade de negócios que produz aparelhos de realidade visual. Ao adicionar esta informação com o desempenho financeira da firma taiwanesa, que apresenta severos problemas financeiros desde 2015, percebe-se que a organização buscou liquidez ou até mesmo fôlego financeiro que sustentará a empresa até seu próximo grande lançamento, que provavelmente será um aperfeiçoamento de seus kits Vive para realidade virtual.

Quais os riscos do negócio?

Riscos costumas ser altos em quaisquer processos de fusão e aquisição, porém o setor de tecnologia traz exemplos de grandes fracassos na compra e integração de empresas. O histórico de aquisições da Google não apresenta muitos exemplos bem-sucedidos, principalmente por que os executivos da empresa parecem não entender muito bem as atividades de manufatura.

Por exemplo, há seis anos a própria Google comprou por US$ 12,5 bilhões a unidade de fabricação de aparelhos móveis da Motorola, a Motorola Mobility. Menos de três anos depois a empresa percebeu que as economias de escala e escopo não ocorreram e a Google vendeu a mesma unidade de negócios para a Lenovo, por uma fração do valor que pagou pela empresa adquirida. Será que a empresa cometeu o mesmo erro pela segunda vez? O que pode ser dito é que, com certeza e independentemente dos reais motivos da aquisição, Google parece otimista com o negócio.

Qual o impacto dessa aquisição para os consumidores?

O que virá após o smartphones? Aparelhos com tecnologia de Realidade Aumentada já existem em versões comercias, o que ainda não ocorre com Google Glass, que ainda parece ser uma solução à procura de um problema. Fones de ouvido com conexões em tempo real, sensores embutidos nas roupas, dispositivos implantados na pele dos usuários são os prováveis exemplos de novos produtos eletrônicos, com lançamentos comercias previstos nos próximos anos.

 virtual reality

 

Conclusão

Naturalmente, a Google procurará influenciar (ou determinar) a próxima onda tecnológica para manter sua relevância no mercado. Tal influência pode ocorrer através de determinação de padrões tecnológicos, da influência de gostos do consumidor (exemplo aqui) ou da aquisição de fornecedores, com suas competências e propriedades intelectuais, como é o caso da HTC.

Com a incorporação de uma equipe totalmente dedicada ao desenvolvimento de software e sobe seus próprios domínios, a Google está se posicionando para desenvolver novas tecnologias que necessitem de maior integração entre os mundos manufatureiros e digitais. Será que desta vez a empresa será bem-sucedida?

Deixe uma resposta